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domingo, 7 de janeiro de 2018

#Observatório

O #Observatório é uma série de vídeos exclusivos para a web produzido pelo Observatório da Qualidade no Audiovisual. O foco são entrevistas com pesquisadores da área do Brasil e do mundo discutindo temas ligados a convergência, competências midiáticas, qualidade do audiovisual, consumo e produção de conteúdos, cultura de fãs, cidadania e ética.

Silvia Bacher e Luis Miguel Romero discutem o diálogo entre a competência midiática e a cidadania. Os pesquisadores refletem sobre a importância dos cidadãos críticos no ambiente de convergência.

Cristiane Finger e João Massarolo analisam o papel do telespectador e as novas formas de produção de conteúdos audiovisuais no ambiente da convergência midiática.

Claudemir Viana e Ismar de Oliveira Soares destacam a importante relação entre educação e comunicação para o desenvolvimento da competência midiática dos cidadãos.


Ignacio Aguaded e Alexandra Bujokas de Siqueira falam sobre os MOOCs e como esta ferramenta auxilia a democratização do conhecimento em um processo de coprodução.


Agustín García Matilla e Mario Montaner discutem sobre a importância da competência midiática na formação dos profissionais de comunicação.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Justiça: uma análise das questões sociais abordadas na teledramaturgia brasileira


Exibidas pela primeira vez no Brasil durante a década 1950, as telenovelas foram criadas como formas de entreter o público ao mesmo tempo em que preenchiam lacunas na grade diária das emissoras que começavam a surgir no país. A partir da década de 1960, essas produções romperam com o “estilo sentimental” -dramas feitos para comover e “fazer chorar”- que dominava a produção anterior, propondo uma alternativa “realista” e crítica (MACHADO, 2011; LOPES e MUNGIOLI, 2013 KESKE e SCHERER, 2013,). Deste momento em diante, foi iniciada a produção de narrativas que possuem como pano de fundo histórias e personagens brasileiros, com anseios e aspirações característicos do nosso povo. 

Essa mudança de perspectiva apresentada pelas novelas da década de 60 proporcionou uma maior identificação dos telespectadores com o conteúdo assistido, o que Lopes e Mungioli (2013) apontam como fator culminante para a consolidação da telenovela como o gênero mais popular e lucrativo da televisão. Lopes (2009) também destaca a função pedagógica desse produto, que detém o poder de formar opiniões, gerar padrões de consumo e trazer à tona os mais diversos temas.

A qualidade de representar a cultura nacional e estabelecer uma maior integração social - que Lopes e Mungioli (2013) denominam como “narrativa da nação”-reforçam a relevância dos temas abordados nas telenovelas, que se tornam pautas sociais durante o período de exibição das mesmas. Nesse contexto, narrativas como a minissérie Justiça, exibida pela Rede Globo em 2016, apresentam-se de forma bastante relevante, uma vez que trazem à tona a reflexão acerca de diversos problemas-chave da sociedade brasileira contemporânea.

Justiça narra a história de quatro pessoas que supostamente cometeram algum crime, foram presas no mesmo dia e acabaram sendo libertadas da prisão simultaneamente, com diferentes perspectivas para o futuro. O fio condutor da narrativa está sempre vinculado a alguma questão social vivenciada por parcelas da população brasileira. A identificação com os diversos temas abordados pela história aliada a uma produção de qualidade fez com que Justiça se tornasse uma das atrações mais comentadas do ano, tanto pelos telespectadores quanto pela crítica. Nesse contexto, iremos refletir sobre algumas das diversas questões sociais e culturais abordadas pela minissérie.

Feminicídio

A primeira reflexão proposta por Justiça é evidenciada logo no primeiro episódio. Nele, o telespectador é apresentado a Vicente (Jesuíta Barbosa), um jovem de classe média apaixonado -e possessivo- por sua noiva Isabela (Marina Ruy Barbosa). Após um desentendimento com o ex-namorado de sua parceira, algumas crises de ciúmes e a declaração de falência da empresa de seu pai, Vicente flagra Isabela e seu ex-namorado mantendo relações sexuais na casa da jovem. Alcoolizado, fora de si e certo de que a atitude de sua noiva não merecia perdão, ele atira, friamente, em Isabela, que morre na hora. 

A cena em que Elisa (Debora Bloch) segura o corpo de sua já falecida filha em meio a um “mar de sangue” se tornou uma das mais marcantes da série.


O comportamento machista, abusivo e criminoso do personagem Vicente (Jesuíta Barbosa) é, infelizmente, um reflexo da personalidade de pessoas reais, que acreditam que mulheres devam ser subordinadas a seus maridos/namorados e não podem, ao menos, manter relações de amizade com outros homens. Em vista disso, a cena se tornou tão memorável pelo fato de conseguir traduzir, em uma imagem, a realidade de milhares de mulheres brasileiras violentadas e mortas por seus parceiros diariamente no Brasil.

Incriminação de pessoas inocentes

Na ficção, Fátima (Adriana Esteves) é apenas uma humilde empregada doméstica e mãe de dois filhos. Entretanto, o que fez a personagem se destacar durante toda a exibição da série é o fato de representar diversas pessoas reais que passam pela mesma situação (como, por exemplo, o caso que recentemente gerou mais repercussão nacional, do jovem Rafael Braga). Ela e sua família veem suas vidas ameaçadas quando um policial se muda para a casa ao lado. Após ter sua residência invadida diversas vezes pelo cão feroz do vizinho, Fátima decide tomar uma medida drástica, que o deixa completamente furioso. Como retaliação, o vizinho Douglas (Enrique Diaz), abusando de sua influência como policial, planta uma caixa contendo drogas no quintal da doméstica, que acaba sendo presa sob a acusação de tráfico de drogas, um crime que nunca cometeu. 

A exibição desse episódio e o destaque para situações de abuso de poder e corrupção policial gerou uma reação por parte da Polícia Militar do Rio de Janeiro, que sugeriu boicote à Rede Globo pela seleção do policial como um dos vilões da trama.

Racismo institucional e privilégio branco

A personagem Rose (Jéssica Ellen) é mais uma vítima do racismo institucional e do privilégio branco tão característicos de nossa sociedade. Assim como Fátima, apesar de ser uma personagem fictícia, existem milhares de “Roses” passando pelas mesmas situações vividas pela jovem. No dia do seu aniversário, ela tem algo a mais a comemorar, sua aprovação no vestibular. A fim de celebrar esses momentos especiais ao lado de seus amigos, Rose decide convidá-los para um luau na praia. Ao chegar no local, diversos colegas pedem para que a jovem vá até a barraca de Celso (Vladimir Brichta) comprar drogas. De volta à festa, diversos policiais aparecem e decidem revistar algumas das pessoas presentes. Apesar de todos utilizarem entorpecentes, a polícia liberou os indivíduos brancos e “selecionou” os jovens negros para serem revistados; dentre eles, Rose. Dessa maneira, a jovem foi presa (e, consequentemente, perdeu sua vaga na faculdade). Simultaneamente, seus amigos e o fornecedor das drogas (pessoas brancas) iam para suas casas tranquilamente, sem nenhum tipo de assédio e violência policial.



Eutanásia

Justiça também aborda um tabu ainda pouquíssimo discutido pelos brasileiros, a eutanásia. Após ser atropelada ao final de uma apresentação, a dançarina Beatriz (Marjorie Estiano) fica paraplégica e, incapaz de fazer o que mais amava na vida -dançar-, decidiu que não desejava passar por toda a dor e sofrimento que essa condição a levaria. Portanto, em seu último pedido, a jovem suplica para que seu esposo, Maurício (Cauã Reymond), pratique a eutanásia e alivie sua insatisfação com a vida que levaria daquele momento em diante. Apesar do pedido inesperado, o jovem compreende o argumento de Beatriz, que afirmava ter morrido no momento em que o carro a atropelou, e percebe que a mulher não conseguiria viver feliz após o acidente. Sabendo que sofreria as consequências desse ato, que é considerado crime no Brasil, ele atende ao desejo de sua mulher. 



O tema da morte, ou da “boa morte” –significado da palavra eutanásia-, apesar de ser relativo à saúde pública, ainda é negligenciado por autoridades brasileiras. Não existe diálogo a respeito dessa questão, e as poucas tentativas de reflexão acerca desse tema (como um Projeto de Lei de 1996 que “autoriza a prática da morte sem dor em casos específicos”) são barradas pelo poder Legislativo. 

Justiça com as próprias mãos

A resistência em relação à justiça brasileira é a crítica mais contundente realizada por Justiça. Um dos fios condutores da narrativa consiste na negligência do sistema judiciário e na busca por justiça de uma maneira “alternativa”, com as próprias mãos. Diversos são os diálogos em que personagens divagam sobre a demora, falha e injustiças cometidas pela justiça brasileira. Como consequência desse sistema cheio de lacunas, alguns personagens tomam para si a responsabilidade de mudar uma situação que deveria ser responsabilidade desse poder. 

Referências:

KESKE, Humberto Ivan Grazzi; SCHERER, Maria Margarete. A telenovela brasileira e a cultura de massa: uma relação muito além do zapping. In Questões Contemporâneas, v.12, n.2, 2013, Online. Disponível em: <http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/polemica/article/view/6424/4853>. Acesso em: 15 dez. 2017.

LOPES, Maria Immacolata Vassallo de; MUNGIOLI, Maria Cristina Palma. Qualidade da Ficção Televisiva no Brasil: elementos teóricos para a construção de um modelo de análise. In XXII Encontro Anual da Compós, Universidade Federal da Bahia, Anais...2013. Disponível em: <http://compos.org.br/data/biblioteca_2078.pdf>. Acesso em: 15 dez. 2017.

MACHADO, Arlindo. Modos de pensar a televisão. Revista Cult, Online, 2011. Disponível em: <https://revistacult.uol.com.br/home/modos-de-pensar-a-televisao/>. Acesso em: 15 dez. 2017.


domingo, 3 de dezembro de 2017

As séries de documentários independentes na política brasileira


Nos últimos anos a polarização política no Brasil tem ganhado eco na internet. As redes sociais tem se tornado palco de debates entre direita e esquerda. No entanto, grande parte dos discursos veiculados nas redes apresentam apenas opiniões individuais sem o respaldo de um conhecimento mais profundo do cenário político. Visto isso, ambos os lados passaram a utilizar da própria internet para formar o público através de blogs, sites, canais de vídeo e agências de notícias.

Pelo lado liberal conservador foi criado em 2016 o site Brasil Paralelo, que, junto com outros grupos, tem sido referência no ativismo político digital da Nova Direita. O projeto trabalha com a produção de conteúdo audiovisual, que é veiculado na internet via YouTube. Por ser totalmente independente de patrocínios, o financiamento das séries é feito através da contribuição de assinantes, que ganham acesso a um conteúdo exclusivo de palestras. Atualmente, o Brasil Paralelo está lançando a sua segunda série, A Última Cruzada, que conta a história no Brasil desde seu descobrimento. A série se encontra no seu terceiro capítulo. Entretanto, aqui pretendemos analisar o primeiro trabalho do site: O Congresso Brasil Paralelo

A primeira série do Brasil Paralelo dialoga diretamente com o período político em que foi lançada e que, por consequência, continuamos vivendo. Em 31 de agosto de 2016, ocorria o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Logo após, em 7 de dezembro, era lançada a série que, através de cinco episódios no estilo documentário (em fevereiro de 2017 é lançado um episódio extra), pretende contar as raízes do problema dos governos de esquerda no país até chegar ao impeachment. 

A série


Cada episódio contém de 30 a 70 minutos e mantém um padrão estético com entrevistas de plano médio em ambientes fechados com o entrevistado sentado. O roteiro procura construir o argumento através de inúmeras entrevistas - somente no Congresso Brasil Paralelo foram realizadas mais de 80 entrevistas - e de uma narração em off coberta por imagens que buscam ressaltar o ponto de vista defendido e, vez por outra, ilustrado com vídeos. O narrador aparece somente no início dos episódios para apresentar qual será o conteúdo trabalhado e convidar os espectadores a serem assinantes. A trilha sonora escolhida é composta basicamente por músicas clássicas de fundo e são utilizadas para dar ênfase aos momentos mais “reveladores” e “chocantes” da narração. 

Bill Nichols propõe seis modos de classificação que atuam como subgêneros do documentário e expressam o modo de ver do diretor e também o engajamento do filme no mundo. Para ele, nenhum documentário é desprovido de ideologia e sempre intervém na temática, afirmando “qual é a natureza de um assunto, para conquistar consentimento ou influenciar opiniões” (NICHOLS, 2005, p. 30). No caso que analisamos a questão da ideologia é bem clara e em nenhum momento se tenta escondê-la, pelo contrário, a ideia é expô-la ao máximo. Os modos propostos por Nichols são o poético, o expositivo, o observativo, o participativo, o reflexivo e o performático. Um mesmo produto pode apresentar mais de um modo em seu formato, entretanto, sempre haverá um predominante. Aqui não tiremos nos atentar em explicar cada modo, mas somente aqueles que se enquadram na classificação do nosso objeto. 

O subgênero mais tradicional é o modo expositivo, no qual se enquadra o Congresso Brasil Paralelo. Tal modo “agrupa fragmentos do mundo histórico numa estrutura mais retórica ou argumentativa do que estética ou poética” (NICHOLS, 2005, p. 142). Para isso, a série utiliza de suas entrevistas como forma de legitimar e dar um corpo retórico ao argumento. Dentre os entrevistados estão especialistas de diversas e personalidades que tem um espaço relevante na mídia hoje, como Luiz Felipe Pondé e Olavo de Carvalho. Pode-se notar ao analisar os entrevistados que muitos apresentam divergências de pensamento em muitos aspectos - como no caso de Olavo de Carvalho e Luiz Felipe Pondé - mas há, na temática do documentário, um ponto em comum. Este fator procura ressaltar ainda mais a legitimidade do argumento, pois demonstra pontos que por vezes são contrários se unindo em prol de algo.

Outra característica do modo expositivo que pode ser identificada na séria é a “montagem de evidência”, que para Nichols consiste na forma de organizar sem que necessariamente haja uma continuidade, em que tempo e espaço não sejam únicos, mas sim “que se dê a impressão de um argumento único, convincente, sustentado por uma lógica” (NICHOLS, 2005, p. 58). Toda a narrativa em OFF, que preenche boa parte dos episódios, utiliza desta forma de encadeamento de imagens. 

A série teve seu lançamento feito em cinemas em São Paulo e no Rio Grande do Sul. No site da entidade, o conteúdo já foi visualizado por mais de quatro milhões de pessoas. O projeto Brasil Paralelo reforça a viabilidade da produção de conteúdos do tipo a serem distribuídos em plataformas virtuais. 

Referência:

NICHOLS, Bill. Introdução do documentário. Campinas, SP: Papirus, 2005.


domingo, 26 de novembro de 2017

Deep Media: uma análise do universo imersivo de Gotham

 
 
Não tem como negar que o desenvolvimento de conteúdos multiplataformas passou a ser algo essencial para as tramas contemporâneas. Afinal, cada vez mais as narrativas deslizam por distintos meios e linguagens. Além disso, é importante que se tenha uma ampliação em determinadas produções, visando maior imersão do público. Atualmente é comum ver universo ficcionais que são fragmentados e dão origem a novos produtos.

A série estadunidense Gotham, de Bruno Heller, por exemplo, explora o universo ficcional de Batman por um outro “ângulo” e possibilita um maior conhecimento até mesmo de personagens secundários – resultando em um aprofundamento.

Para desenvolver os personagens da trama, Heller se baseou na HQ Gotham Central. A primeira aparição de Batman se deu em 1939, na edição 27 da Revista Detective Comics. Hoje, 78 anos depois, ainda há produção para o universo ficcional do super-herói. O fato é que durante décadas a história do menino órfão foi se renovando, e com um fator importante: sem perder a identidade. Um dos motivos para o sucesso do Homem-Morcego está atrelado à narrativa transmídia. 



De acordo com Jenkins (2008), cada contato com à franquia deve ser independente, para que seja possível gostar da produção em uma plataforma sem necessariamente ter a visto em outra. O universo de Batman sempre foi eficaz quanto a isso. A aparição nos mais diversos meios, amplia a oportunidade de pessoas terem o seu primeiro contato de forma distintas uma das outras. As HQ, os filmes, as séries e os quase 30 jogos eletrônicos, apresentam cada vez mais um novo “olhar” para o público. Nesse sentido, o universo ficcional proporciona inúmeros pontos para serem abordados e explorados em outras produções e plataformas - seja através de personagens, detalhes, cronologia diferentes, etc.

Para que um universo ficcional sobreviva durante décadas, é necessário que haja alternativas e elementos que possam ser explorados dentro da narrativa. Como pontua Rose (2011), além de contar histórias em uma múltiplas plataformas é importante proporcionar e permitir o público investigar, participar e imergir na trama. Nesse contexto, juntamente com a transmídia, a deep media passa a ser essencial. O termo, cunhado pelo autor, se refere à capacidade das histórias de estimularem a imersão do público.

O universo extenso de Batman possibilita a existência de produções que apresentem diferentes angulações. Um caso recente e que trabalha muito bem com isso, é Gotham. Por meio da narrativa, a série “responde” a questões mais profundas desse mundo ficcional. Ou seja, além do âmbito tecnológico no entretenimento contemporâneo, o narrar continua sendo um elemento importante para a imersão do público.

Diferentemente da grande parte das produções, nas quais já trabalham em cima de Batman no combate ao crime e seus inimigos, Gotham é narrada na perspectiva do comissário Gordon. Pode-se questionar: mas e o Batman? Esse ainda se quer existe, o super-herói vai se desenvolvendo no decorrer da série – assim como seus inimigos. Que Bruce/Batman teve seus pais assassinados em sua frente quando ainda era uma criança, pode não ser novidade para aqueles que já leram/viram alguma história do “Homem-Morcego”. No entanto, como se deu a investigação da morte de seus pais? Como foi a vida de Bruce antes de se tornar o Batman? E o surgimento de seus inimigos? O “nascimento” deles também estaria atrelado a algum trauma? Todas essas questões nos levam para um outro lado desse universo ficcional, e é o que a série nos apresenta. Nela, Gordon aparece como um suposto “herói”, por ser um policial idealista e sempre disposto a encarar o “mau” de Gotham City. Portanto, como é colocado por Rose (2011), as alterações na indústria do entretenimento abrem esses caminhos: de imersão e expansão. Na série em questão, Heller aborda as máfias existentes na cidade e “humaniza” os vilões de Batman, desvendando suas trajetórias – o que promove um aprofundamento da narrativa original. Logo, possibilita que o público veja a evolução e o desenvolvimento da personalidade dos personagens.

Diante disso, é possível fazer com que o público reflita ainda mais sobre esse universo – o que induz também o consumo de outras produções relacionadas a esse mundo ficcional. No caso de Gotham – tendo como base também as histórias em quadrinhos -, pode-se pensar que, não foi apenas o surgimento do super-herói que foi advento de um trauma, mas o “nascimento” dos vilões também pode estar associado ao mesmo motivo.

Um universo extenso como o de Batman possibilita a criação de novas histórias. Dessa forma, no ambiente da convergência midiática muitas lacunas são preenchidas em novas produções e os personagens secundários podem se tornar protagonistas.

Referências:

JENKINS, Henry. Cultura da convergência. Tradução de S. Alexandria. São Paulo: Aleph, 2008.

ROSE, Frank. The Art of Immersion: How the Digital Generation Is Remaking Hollywood, Madison Avenue, and the Way We Tell Stories. New York: W W Norton & Company, 2011. 


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