Por Gustavo Furtuoso, Lucas Daniel da Silva e Cecília Almeida
The Idol
A série, criada por Abel Tesfaye (The Weeknd) e com produção de Reza Fahim, seria inicialmente dirigida por Amy Seimetz. Porém, após boa parte das gravações terem sido realizadas, houve uma grande mudança no projeto, que acabou nas mãos de Sam Levinson. O resultado foi uma narrativa que tentou se passar por provocante e adulta mas acabou soando como o delírio de um adolescente masculino cujo cérebro começou a ser corroído pela pornografia. Com cenas cringe, de mau gosto e que provavelmente constrangeram o próprio elenco (que incluía nomes como Lily-Rose Depp, Jennie, Troye Sivan e Rachel Sennott), The Idol foi tão ruim que inevitavelmente fez o público repensar as carreiras de The Weeknd e Sam Levinson sob outra ótica.
Emily in Paris
Após uma primeira temporada bastante criticada, é surpreendente que Emily in Paris tenha tido fôlego para, no momento de escrita deste texto, estar renovada para uma sexta - e última (R.I.P.) - temporada. A série gerou discussões por trazer uma protagonista desagradável e arrogante que se muda para a França e, mesmo desrespeitando várias vezes a cultura onde se inseriu, é frequentemente recompensada por suas ações sem sofrer nenhuma consequência. Além de perpetuar uma série de estereótipos culturais e raciais, além de exaltar o jeito "estadunidense" da personagem, Emily in Paris sequer constrói arcos narrativos consistentes, falhando até em formar pares românticos pelos quais valha a pena torcer.
Riverdale
Ok. Essa série tem menos falhas problemáticas como as anteriores, mas o que a faz estar aqui é que, ponderando sobre investimento de tempo envolvido e o que se ganha em troca, Riverdale é um dos maiores exemplos de como desrespeitar sua audiência. O início, por mais que tenha suas falhas, ainda se sustenta frente aos objetivos que possui e o público-alvo almejado - é uma série da CW, afterall... No entanto, com sete temporadas e mais de 130 episódios, a série se perde na própria mitologia e o que se inicia como um drama adolescente baseado nos personagens da Archie Comics torna-se uma bagunça que abandona qualquer intenção de coerência e abraça toda e qualquer oportunidade para uma reviravolta inesperada. A escala com a qual as coisas se degradam e o nível de exagero que a série atinge chega ao ponto de levar a série para conflitos com vilões e super poderes num estilo Marvel para depois finalizar sua última temporada na década de 1950 com com reboot diegético e reconfigurações radicais de personagens. Isso sem comentar a tentativa do multiverso Archie Comics, que reuniria as narrativas (já inconsistentes) de Riverdale com as séries Chilling Adventures of Sabrina e Katy Keene. É melhor ficar com os quadrinhos.
Inhumans
A escassez de recursos muitas vezes se converte em virtude. Não são raros os exemplos de episódios compartimentados (bottle episodes) ou do redimensionamento conceitual da própria série para extrair drama a partir do simples: o episódio da mosca em Breaking Bad, a série clássica de Doctor Who ou os primeiros anos de Buffy: A Caça-Vampiros. Inumanos é o oposto disso. A direção de Scott Buck (também showrunner da primeira temporada de Punho de Ferro) não consegue extrair boas performances do elenco nem transformar limitações orçamentárias em criatividade. São muitas decisões erradas: a escolha do elenco, a direção desses atores, a decisão de lançar os dois primeiros episódios em IMAX apenas evidencia a pobreza dos efeitos visuais e da direção de arte. Em particular, cabe destacar as pavorosas performances de Anson Mount (Raio Negro) e Serinda Swan (Medusa). Uma série pobre em recursos e em imaginação, desperdiçando todo o íncrivel potencial dos Inumanos. A série dá um passo maior que a perna, esboça uma intriga palaciana com seus poucos recursos e abre escala na verossimilhança. O resultado? Um tumulto visual e sonoro no qual o único superpoder crível é do telespectador que resiste até o último episódio.
The Walking Dead: World Beyond
No Brasil, The Walking Dead: Um Novo Universo (World Beyond) aposta no público teen para expandir o universo dos mortos-vivos da AMC. A série acompanha a primeira geração de adolescentes que cresceu no apocalipse zumbi, mas esbarra na incapacidade dos roteiristas de retratar as luzes e sombras de uma adolescência distópica. A série está mais interessada em expandir o universo da obra principal e plantar informações para fóruns da internet (soltando aqui e ali o papel da República Cívica Militar [CRM]) do que em se comprometer com o momento singelo, conflituoso, cômico e tenso da adolescência. Há um déficit intergeracional na escrita: a adolescência é narrada por um olhar adulto enrijecido que não consegue alcançar a diversidade de ser adolescente. É uma história de amadurecimento com vergonha de amadurecer seus personagens, mas desavergonhada em seu ritmo lento. World Beyond é menos uma série e mais um produto embalado, padronizado e pronto para consumo.





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