domingo, 13 de maio de 2018

Plataformas de streaming on demand: o mundo além da Netflix

Quem nunca teve vontade de assistir a um filme, ou uma série, e teve que sair debaixo do cobertor para ir à locadora? Talvez você nem saiba o que é uma locadora de filmes, mas se você nasceu no século passado provavelmente já frequentou uma. Sair de casa, fazer ficha, pagar (que não era tão barato) e ter um prazo, geralmente curto, para ficar com esse título que estava interessado em assistir. Se passasse do prazo estabelecido para a entrega do DVD você pagava multa, que não era tão barato também.

Com o passar dos anos, surgiram às plataformas de streaming on demand. Que consiste em disponibilizar online conteúdos como filmes, séries, documentários, talk shows, entre outros. A partir de uma mensalidade, o assinante pode assistir aos programas, quanto quiser, em dispositivos móveis, computadores e smartTVs.

Mas o que é “stream”? O que é “on demand”? Vamos por partes. No inglês a palavra stream significa, em sua tradução literal, “córrego”. Nesse sentido, no contexto das plataformas digitais, o termo se refere à forma como a distribuição de conteúdo é feita. O “on demand” também em sua tradução literal do inglês significa “sob demanda”. Isto é, o modo como o conteúdo é disponibilizado para os assinantes. Portanto, serviço de streaming on demand é o que consumimos sob demanda sem termos que fazer download daquele arquivo.

Considerada a maior plataforma stream on demand em atividade no Brasil, a Netflix possui catálogo com cerca de 10 mil títulos (o número é atualizado semanalmente) abrange longas metragens, talk shows, séries de canais estadunidenses e estrangeiros, além de produções originais.

Outro serviço de “streaming on demand” disponível no Brasil é o Prime Video, da Amazon. A Amazon consiste numa rede de vendas online, e com lojas físicas. No Brasil, só existe este serviço de compras de forma online. O serviço conta com séries originais (The Marvelous Mrs. Maisel, Mozart in the jungle, Transparent, etc.) e outros diversos tipos de conteúdo.

Entretanto, apesar de não estar disponível no Brasil o Hulu vem se destacando nas premiações e gerando muito buzz nas redes sociais com suas produções originais.

Hulu

A plataforma Hulu tem se mostrado cada vez mais forte no mercado de serviços ondemand. Com séries premiadas no Globo de Ouro e no Emmy, o serviço conta com mais de 20 milhões de assinantes nos EUA e seu catálogo é bastante diversificado.
“Queremos ser uma marca de entretenimento e tecnologia obrigatória, que é celebrada por continuar a redefinir a TV.” (HULU, Online)

Esta plataforma em específico é bastante popular nos EUA, mas pouco conhecida em outros países. Porém, isso não impede o Hulu de produzir conteúdo que sejam relevantes e que causem burburinho nas redes sociais e sites especializados.

O fenômeno The Handmaid’s Tale

Um exemplo desta comoção nas redes é a série, aclamada pela crítica e pelo público, The Handmaid’s Tale (2017-atual). Baseada no livro homônimo de Margaret Atwood a trama retrata uma sociedade não tão distante da atual, localizada numa região onde já foi parte dos Estados Unidos. A sociedade encontra-se dominada por líderes com cunho hierárquico, militar e religioso, passando a tratar as mulheres como propriedade do estado. Neste cenário, a infertilidade atingiu a maioria das mulheres, devido a vírus como DST’s, poluição, entre outros fatores. Portanto, os homens que estão no poder decidem usar outras mulheres (as Aias como são chamadas na série) para que elas sirvam a eles e suas esposas, de forma que elas contribuam para reprodução e, desta forma, aumentar a natalidade da região.
A trama gira em torno de uma personagem principal, Offred, interpretada por Elisabeth Moss, que é capturada ao tentar fugir para o Canadá com seu marido e sua filha. Ao ser capturada, a protagonista acaba indo servir, como Aia, a família de um governador. A partir deste momento toda a vida da personagem é “apagada”, e a mesma começa uma nova vida ao lado de sua nova família, servindo para reprodução, através de um ritual sexual cristão.


A série traz à tona um tema delicado que infelizmente apresenta um diálogo muito próximo com a contemporaneidade, explorando questões como o sexismo, o fanatismo religioso, o machismo, etc. Nesse sentido, a série estimula, mesmo que indiretamente, a reflexão dos telespectadores sobre os assuntos abordados nos episódios e sua correlação com a realidade.

Desde a sua estreia, em 2017, The Handmaid’s Tale foi elogiadapela crítica especializada, com aclamação no Metacritic, prêmios Emmy (desde sua produção aos atores), Globo de Ouro, Critics’ Choice Awards. A trama do Hulu também conquistou instantaneamente o público, logo nos primeiros episódios exibidos já era possível ver grupos de fãs se organizando nas redes sociais e sites. 

A ampliação do universo ficcional de Handmaid’s

Um dos sites mais populares organizado pelo fandom da série é o The Handmaid’s Coalition (SIGILIANO; BORGES, 2018). Na plataforma colaborativa, os fãs de mobilizam para lugar pela igualdade de gênero e trazer melhorias aos direitos das mulheres.

Foto retirada do site, cedida por Granite State Progress
Capa do site The Handmaid’s Coalition
“Lutar para que a ficção não se torne realidade”, este é o slogan da página inicial do site, que traz os assuntos relatados na trama para a realidade. No The Handmaid’s Coalition também é possível se voluntariar para integrar os protestos realizados nas cidades dos Estados Unidos e em alguns países europeus. Outros detalhes sobre o The Handmaid’s Coalition podem ser encontrados nasdo Instagram, Twitter e Facebook, que encontram-se atualizadas, com exceção do Instagram, que tem sua última atualização em agosto de 2017.

O sucesso de The Handmaid’s Tale reforça a importância de se discutir (e analisar) outras plataformas de streaming on demand. Premiada, elogiada pela crítica e amada pelo público a trama – que foi rejeitada pela Netflix – tem contribuído para a reflexão de temas atuais e, mostrando, que sim, existe um mundo maravilhoso de séries além do catálogo da Netflix.

Referências:

FERRÉS, J; PISCITELLI, A. Competência midiática: proposta articulada de dimensões e indicadores. In Lumina, v. 9, n, 1, p. 1-16, 2015. Disponível em: <https://goo.gl/3EQnc6>. Acesso em: 09 mai. 2018.

HONOROFF, M. Best Streaming Video Services 2018. Tom’s Guide. Disponível em: <https://www.tomsguide.com/us/best-streaming-video-services,review-2625.html>. Acesso em: 09 mai. 2018.

OLIVEIRA, S. Afinal, o que é streaming on-demand? Olive Tree Filmes. Disponível em: <https://www.olivetreefilmes.com.br/blog/afinal-o-que-e-streaming-on-demand/>. Acesso em: 09 mai. 2018.

SIGILIANO, D; BORGES, G. Competência Midiática: o ativismo dos fãs de The Handmaid's Tale. In Comunicação & Inovação, v. 19, n. 40, 2018 (no prelo)

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