domingo, 24 de setembro de 2017

A influência dos fãs na volta de Prison Break

Após oito anos, Dominic Purcell e Wentworth Miller voltaram a interpretar Lincoln Burruws e Michael Scolfied, respectivamente.
Assistir, interagir, debater, criar, compartilhar e ressignificar! Na contemporaneidade, esses são processos comuns para qualquer telespectador. As mudanças foram grandes nos últimos anos, e a “explosão das tecnologias digitais interativas”, como ressaltado por Jenkins (2006), fez com que os consumidores procurassem cada vez mais alternativas por meio das novas plataformas. Assistir a um programa é apenas o começo e não o fim do processo de consumo de mídia (JENKINS, 1992, p.284). O fato, é que a “distância” entre produtores e consumidores diminuiu, isto é, o público deixou de ser apenas um receptor passivo.

O ambiente de convergência também alterou o papel dos fãs, trazendo novas possibilidades (SANDVOSS, 2013). A partir das criações e dos projetos compartilhados, o telespectador ávido passou a influenciar as atrações de uma maneira inimaginável há décadas atrás. Atualmente, o fã pode mudar o rumo de uma história, trazer novas ideias e até mesmo contribuir para um retorno inesperado de uma série.

Assim como 24 Horas, The X-Files e Gilmore Girls a série Prison Break também retornou a TV estadunidense após um longo hiato. A trama conta a história de dois irmãos: Michael Scolfield (Wentworth Miller) e Lincoln Burrows (Dominic Purcell). Após ver o irmão ser preso e condenado a morte, Scolfield cria uma estratégia para tentar resgata-lo, e então a série se desenvolve a partir do plano de fuga. Prison Break estreou em 2005 e o último episódio da quarta temporada, foi ao ar, pela Fox, em 2009. Para encerrar a trama, a emissora produziu um telefilme, intitulado The Final Break (O Resgate Final). O episódio final encerrou grande parte dos arcos narrativos, dando indícios que o universo ficcional estava, de fato, finalizado.

Porém, em abril deste ano a série retornou. Quando o presidente executivo da Fox Gary Newman, em 2015, confirmou a volta de Prison Break a notícia gerou comoção entre os fãs da atração e surpreendeu a imprensa especializada. Afinal, qual seria o motivo desse retorno? A série ficou durante oito anos “fora do ar”, encerrando todas suas perspectivas de continuação. Mas a questão é: será que durante esse tempo, a trama esteve realmente parada? Para os produtores, até pode ser que esteve, mas para os fãs, ela continuou existindo.

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Ao integrar o catálogo do serviço de conteúdo on demand Netflix, Prison Break conquistou vários fãs pelo mundo, ganhando milhares de admiradores que apesar de não terem assistido a trama pela Fox puderam acompanhar as temporadas pela plataforma. No Brasil, a série ficou entre as dez atrações mais assistidas do catálogo. Nesse sentido, mesmo após o seu encerramento, o programa ainda gerava buzz nos sites e blogs especializados e nas redes sociais. A partir do universo ficcional da atração os fãs aprofundaram, ampliaram a ressignificaram a série da Fox. Como, por exemplo, as páginas Prison Break News e Prison Break Brasil que produziram textos detalhando trechos e cenas marcantes da série. – muitas vezes até contextualizando com alguma data especial ou acontecimento. Os sites, gerenciados pelos telespectadores ávidos, também mantinham galeria de fotos e publicavam novidades sobre o elenco de Prison Break. Todo esse conteúdo vez com que a série continuasse presente e viva no imaginário do público.
O site Prison Break News mantém uma galeria de fotos colaborativa

Essa influencia dos fãs no desdobramento da trama é tão nítida que foi reconhecida pelos atores de Prison Break. Segundo Dominic Purcell, que interpreta Lincoln Burrows, o interesse da Fox em produzir novos episódios se deu, mesmo que em parte, por conta dos telespectadores. Seja através da Netflix ou dos conteúdos compartilhados na internet o público conseguiu perpetuar o universo ficcional. Por manter a trama ‘ativa’ em diversas plataformas os fãs conseguiram atrair novos admiradores, que, se não passaram a contribuir na produção de conteúdo, ajudaram na propagação das informações. A lealdade dos fãs de Prison Break foi ressaltada pela atriz Sarah Wayne Callies. A intérprete de Sara Tancredi fez uma analogia entre os telespectadores ávidos e o principal arco narrativo da atração, segundo ela, os fãs são leais quanto os Irmãos Scofield.

Prison Break retornou com elenco e produtores originais. A quinta temporada da série foi ao ar em abril e maio deste ano, na Fox.
Portanto, será que Prison Break voltaria depois de anos se os fãs não tivessem a mantido viva por meio de tantas plataformas? Apesar do retorno da atração não ser dada como necessária, visto que a história já havia tido um desfecho e sem pretensões de retorno, ela ganhou novos episódios. Agora, com os papéis invertidos, Scolfied aparece preso e Burrows irá atrás de pistas para salva-lo. O fato, é que Prison Break se mostrou com uma criatividade limitada a partir da terceira temporada e com o surgimento da quinta é inevitável não considerar os amantes do programa não tenham tido um papel significativo na decisão da Fox.

Referências:

JENKINS, Henry. Textual poachers: television fans and participatory culture. New York: Routledge, 1992.

______. Cultura da convergência. Tradução de S. Alexandria. São Paulo: Aleph, 2008.

SANDVOSS, Cornel. Quando a estrutura e a agência se encontram: os fãs e o poder. In Ciberlegenda, n. 28, p. 8-41, 2013. Disponível em: <http://www.uff.br/ciberlegenda/ojs/index.php/revista/issue/view/A%20Cultura%20f%C3%A3%20na%20era%20das%20m%C3%ADdias%20digitais/showToc>. Acesso em: 19set. 2017.


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